20110321

41

Ao contornar a esquina, apercebi-me de ti. Não julguei que te veria hoje. Mas ali estavas tu. Suada. De cara vermelha, transpiravas do calor la de fora. Tinhas vindo, não a correr, mas a acelerar o passo. Tudo estava tão à flor da pele quando passei por trás de ti que quase pude sentir o pulsar do teu sangue. Frente ao espelho, passavas com um lenço de papel para limpar as gotas de agua, com as quais te refrescaste. Pelo rosto, pelo pescoço e logo de seguida pelo peito, escorregando por entre os seios. Tens um apelo selecto. Para mim uma iguaria. É um prazer conviver com uma desigualdade assim. Saio, mais tarde. A noite está quente, morna. A Lua cheira, dourada. A minha vontade é convidar-te a dar uma volta de carro. Ver tudo. Ver a Lua, as luzes e o fumo. Os reflexos das margens do Tejo. Tomar o controlo, como se o pudesse ditar, e atribuir-te a vontade de estares na minha companhia.

1 comentário:

Pinha disse...

"Tomar o controlo, como se o pudesse ditar, e atribuir-te a vontade de estares na minha companhia." :) sublime!