20110307

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Voltaste a pegar-me na mão, nem sei bem como. Talvez sejam os teus olhos de olhar perfeito. A forma como me vês. Como me projectas. E ao mesmo tempo não me prendes. Não me queres só para ti. Cativa, não! Queres apenas um momento comigo. Levas-me a fazer sempre algo diferente, com pessoas diferentes. Gosto de me sentir normal ao pé de ti, sem ter demasiadas expectativas, sem haver demasiada exigência. Sou eu ao pé de ti, com todo o bom ou todo o mau que tiver de vir. Apercebi-me disso e aceitei o teu presente, com o qual sei lidar. Nos teus lençóis de flanela me lavaste em conforto. Um exorcismo do passo falhado. Extravasei a minha dor. E tu a tua. Começa a ser um habito que os infortúnios da vida sirvam para nos unir, quando já rara é a coisa que corre como queremos. uma certa tristeza implícita nos nossos encontros, como se não pudéssemos repeti-los consecutivamente, como se nos levassem a uma espiral de auto-destruição. Eu sei. Não é saudável. Eu não sou saudável. E enquanto não sentir que estou a construir algo serei sempre um pedaço incompleto de qualquer coisa.

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