Ha um vicio implicito na arte de te beijar. Como se mais nada importasse. Como se, a pouco e pouco, cada coisa e cada som fossem desaparecendo gradualmente. Estamos a sós. Acolhes-me em ti e para ti. Eu sigo o fluxo natural e deixo-me levar. Vicias-me. Não me debato, entrego-me à carnificina! O teu olhar revela ganas de mais um beijo. Sedutor, rouba-mo. Não tenho armas. O teu sorriso leva o resto. Tudo o que posso fazer é ficar aqui, nos teus braços. Fechas os olhos de cansaço e aprecias o momento. Eu solto um rir, meio rouco, e deixo-me aterrar.
20110222
20110219
28
Ouve o meu silencio. Deixa que ele te fale de quem sou. De entre um gesto nascem outros e de mim para ti a distancia medida é pouca. Toco-te no cabelo com a desculpa de o afastar da tua vista. Coloco-o atrás da orelha. Estamos perto. Muito perto. Pego na tua cara com as duas mãos agora. Puxo-te para mim. Beijo-te uma vez. Outra ainda. E mais outra. Tu sorriste para mim, sem receio, e eu fiquei contente por te devolver o que me oferecias. Senti-me a transbordar, sem vontade de ir embora. Dei-te mais um beijo e voltei costas para abrir a porta da rua. Prometi voltar a ver-te em breve e sai. Quebrei essa promessa ao pensar em ti.
20110217
27
Tudo começa numa nuvem. Conforme o olho do espectador se vai focando nesse aglomerado de vapores, pontos cinzentos de fumo, poeira, depressa descobre que não se trata de uma nuvem mas sim de um conjunto visível de partículas de água. Micro gotas de agua, todas juntas, na parte de dentro de um automovel. Temos os vidros embaciados. A tela cresce e ali estamos nós duas dentro do teu carro. Rimo-nos da desgraça alheia, dos condutores que passam la fora, mesmo em frente a nós. E eu estou presa num momento contigo. Presa num momento contigo à exactamente vinte e quatro horas atrás. Toda tu eras a personificação da Razão desfeita em prazer. Saiu-nos o tiro pela colatra e agora não pretendemos voltar ao ponto de controlo da situação. Daixamos fluir. Vai por entre as nossas mão, passa plas nossas pernas, corre o nosso corpo todo num arrepio. É a Quimica. Maiscula. Grande. Imensa. Estamos cobertas, enquanto enroladas, numa empatia. Um deleite num arquear de costas. Foges de mim sem efeito. Persigo-te, numa prova de esforço. Alcanso o teu pescoço. Pedes-me para parar enquanto conseguimos. Não consigo. Tu tambem não. Deixa, não faz mal. Senta-te então aqui comigo. Vem ser espectadora do que está para vir.
20110210
26
São conversas, livres de hipocrisias e arrependimentos. Em paisagens confortaveis de bares com guitarras de cordas cruas, o barulho das bolas de bilhar e nuvens de tabaco. É esta a imagem que ambiciono enquanto a realidade me atormenta. À minha frente repousam duas chavenas de cafe, comodamente enquadradas na passagem de dia em que estamos. A musica soa-me um pouco curriqueira, o barulho envolvente implica o arrastar de uma cadeira proxima. Não fumo, falta a oportunidade e o calor do exterior. Somos apenas passageiras da viagem a que nos habilitamos. O tempo corre. Com a rapidez de uma brisa desigual retornamos ao ponto de partida. Acabou e eu sigo. Mas poderei voltar quando quiseres..
20110207
25
Quando te vi, não havia lua no ceu. Encontrei-te num acaso. Numa sombra nos esbarrámos. Fiquei a sentir-me meio que culpada por não ter reparado, não me ter sequer apercebido da tua existencia, não fosse a nossa colisão. "Desculpa" balbuciei insegura. Tu sorriste. Toda tu eras brilho e cor, de olhos grandes e negros. De perto pude sentir o teu cheiro. Estranho e diferente. Um tipo de fragrancia exotica vinda duma terra onde nunca estive. "Gosto do seu sorriso". Esbocei uma gargalhada torta. Somos caça e presa a inverter papeis. Pus a minha mão na tua. Eras quente. Pequena. Fragil. Davas carne e osso à beleza triste que ostentavas. Como se o maravilhoso de viver tivesse sido tatuado nas tuas costas. Compreendi a tua dor e partilhei a minha contigo. Por momentos foi como se nem sequer existisse alguma. Esteve tudo dramaticamente perfeito durante o micro-segundo em que te entendi.
20110205
24
Hoje vi-te menos bem. E de entre tantas palavras que trocámos, o que falou mais alto foi o teu olhar triste. Sim. Aquele olhar de quem está farto, de quem já esta por tudo para não se chatear. Não devia de ser assim. Não tu. És quase Dona da minha alegria de viver. Amiga, és a unica que me puxa para cima. Protagonisas com classe o papel de Heroina das minhas alegrias terrenas. Se tivesse no meu poder a causa da tua tristeza, certamente viverias feliz para sempre..
20110204
23
O meu nome do meio havia de ser Modestia. Só assim saberiam que a minha vida anda à nora Karmica. Deambulando entre o Yin e o Yang. Não é o desgoverno que toma conta dela. Não. Apenas uma certeza que tudo está bem, porque na verdade poderia estar tudo terrivelmente pior. Sorrio. Gosto de juntar peças que nada têm a ver umas com as outras. Tambem eu sou uma peça sem par. Afinal de contas, cresço em mim sabendo que o mundo se uniu para me tramar. Confiança a todo-o-vapor. Arregaço as mangas. Sorriso malando. "Eles que venham!"
20110201
22
Mãos ao alto. Jogo tudo para cima e vou! Não sei se é energia. Sinergia talvez? É calor que corre. Vontade de fazer. Acontecer! Nada mais importante que o Hoje. O inacreditavel Agora, tempo destemido em sede e em garra. Somos senhores de nós mesmos e o Futuro já o vemos na linha de chegada. São metas. E és tu mesma com a vontade de acreditar em ti. Finalmente!
Subscrever:
Mensagens (Atom)