oiço. como o som do dedilhar de uma guitarra no velho oeste. cordas secas. duras da ferrugem e do tempo. já nem sei de quem são as minhas mãos quando as vejo tocar. neste sol que abrasa de céu azulão-solitário com uma única nuvem que definha à passagem. o ar que respiro é seco e em seco engulo o nada que existe, dentro da boca que à muito perdeu o gosto. este tempo quente confunde-me, qual prisioneiro. liberto após longa sentença. O que faria eu com a liberdade caso ma fosse oferecida? não saberia sequer como pegá-la, torná-la minha depois de tanto tempo preso. bastaria falar-lhe ao ouvido? - questiono ao de leve, esboçando um sorriso - inclinar-me sobre toda ela, afastar-lhe o cabelo e bem junto ao ouvido sussurrar-lhe pausadamente "liberdade..... vem comigo!" ao que ela responderia que sim. que seria minha e eu seria dela e o mundo seria por fim tudo aquilo que estivesse ao alcance de nossas mãos. eu e a liberdade, livres... contudo olho para as minhas roupas gastas e percebo a realidade. sou prisioneiro, envelhecido e desgastado. com palavras que me prenderam ao solo gretado me fadei. hoje tudo o que posso é sonhar com aquilo que ainda não vem.
20111118
20111106
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Não sei bem como me pus nesta situação, mas hoje dei por mim a passear pelas ruas desertas de Lisboa. Não as adjacentes, mas as que realmente retratam os contornos da nossa nação. O espirito da capital esculpido nos cantos dos predios pombalinos que rasgam o ceu até tocarem nas estrelas. Andei. Andei muito. Quilometros de chuva traiçoeira, que nem chove nem deixa chuver. Pensei em tanto. Em mim e nos "tu"'s que fui conhecendo. As facetas desta vida deixam-me preplexa, no sentido em que cada vez mais me arrependo de tudo o que fiz, e em especial do que não fiz, do que não disse e, certamente, do que não vivi. Vidas perfeitas aparte, sei, hoje, o preço da minha independencia. Foste tu. Um "tu" que já não volta pois tambem o meu "eu", mais feliz, ficou num passado mais que perfeito.
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