Somos chamados à razão. A realização do momento, o certo, o derradeiro, insinua-se perante nós. Dentro de nós. E é aí! Deixamos de tentar ser e simplesmente transformamo-nos. Em jeito de metamorfose largamos o nosso antigo eu e mudamos. Um desapego inconsciente, é claro, de tudo o que nos foi querido e precioso até então. Dá lugar a um surto de adrenalina para o desconhecido, como se a sede que toda aquela novidade trás não conseguisse ser consolada. Doí mudar, mas doí mais conformarmo-nos com pouco, sendo que o pouco é um pouco de nada. Por isso mudamos, corremos, batemos, gritamos, lutamos e no fundo evoluímos, mesmo que todo esse esforço não nos faça ir a lado algum, porque no fundo, e a verdade inquestionável, é que parar é morrer. Os vencedores re-inventam-se, renascem a cada obstáculo.
20130225
20130215
... e 60
Subi para a mota e disse-te “Anda.
Levo-te a casa...”, não querias mas aceitaste. Foi então.
Subiste para a mota e abraçaste-me. Como antes. Com surpresa. Como
se nada se tivesse passado e tivesses simplesmente muitas saudades
minhas por não me veres à mais de um grande dia de distancia. Senti
os teus braços a envolverem-me e a tua cabeça a descansar no meu
ombro direito. Assim ficámos por uns momentos. Suspiraste. Tens uma
maneira simples de traduzir a palavra perfeição em gestos que me
tocam. Podia ali ficar o resto na noite, só eu e tu e o teu abraço
mas não aconteceu. Arranquei. Fugimos. Acordei. Não sei se te sonho
mais do que já foste ou se simplesmente relembro a pessoa que queres
esconder do mundo. Mas soubesses tu que te sonho, que te vejo, que te
cheiro.. e que acima de tudo te escuto a ti e ao teu silencio.
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