20130225

61

Somos chamados à razão. A realização do momento, o certo, o derradeiro, insinua-se perante nós. Dentro de nós. E é aí! Deixamos de tentar ser e simplesmente transformamo-nos. Em jeito de metamorfose largamos o nosso antigo eu e mudamos. Um desapego inconsciente, é claro, de tudo o que nos foi querido e precioso até então. Dá lugar a um surto de adrenalina para o desconhecido, como se a sede que toda aquela novidade trás não conseguisse ser consolada. Doí mudar, mas doí mais conformarmo-nos com pouco, sendo que o pouco é um pouco de nada. Por isso mudamos, corremos, batemos, gritamos, lutamos e no fundo evoluímos, mesmo que todo esse esforço não nos faça ir a lado algum, porque no fundo, e a verdade inquestionável, é que parar é morrer. Os vencedores re-inventam-se, renascem a cada obstáculo.

20130215

... e 60


Subi para a mota e disse-te “Anda. Levo-te a casa...”, não querias mas aceitaste. Foi então. Subiste para a mota e abraçaste-me. Como antes. Com surpresa. Como se nada se tivesse passado e tivesses simplesmente muitas saudades minhas por não me veres à mais de um grande dia de distancia. Senti os teus braços a envolverem-me e a tua cabeça a descansar no meu ombro direito. Assim ficámos por uns momentos. Suspiraste. Tens uma maneira simples de traduzir a palavra perfeição em gestos que me tocam. Podia ali ficar o resto na noite, só eu e tu e o teu abraço mas não aconteceu. Arranquei. Fugimos. Acordei. Não sei se te sonho mais do que já foste ou se simplesmente relembro a pessoa que queres esconder do mundo. Mas soubesses tu que te sonho, que te vejo, que te cheiro.. e que acima de tudo te escuto a ti e ao teu silencio.