Começa com uma brincadeira de luzes. Ligas uma e outra e mais outra. Vais acendendo assim tudo à volta. Os arrepios, os assopros. A estática ao máximo. É enternecedor lembrar os inícios de todos os invernos. Toda a sensação que cai em mim, quando elas regressam. As chuvas. Quando a primeira gota anuncia o inicio do frio eu confirmo, com mudez, que estas sempre a meu lado.
20111023
20111003
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É difícil olhar para o passado com vontade de mais, pois o mais não chega. Perdeu a força e ficou-se por ali, um caminho no meio do nada e em direcção a lado algum. Pesam-me os suspiros de outroras, as faltas de ar. Faltam-me recordações demais do que existe por viver e que nunca jamais aconteceu. E sim, é nesta posição encurvada, de quem pensa, de quem pondera, de quem calcula demasiado bem, muito para alem do que devia, aquilo que quer fazer que me venho a encontrar. No meio deste nirvana paro e olho o reflexo. Sou eu, mas sem estofo e olhar ligeiramente mais cansado que o habitual. A vida tem destas coisas. Os contornos, os percursos.. levam-me a crer que há tanto mais para lá do que eu julgo que sei, que penso que jamais em tempo algum vou conseguir compreender o que faço eu aqui, no meio de toda esta confusão. Mas o meu passo é demorado, o cigarro está a meio e eu tenho todo o tempo do mundo para me compreender a mim. E tu?
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