Tudo começa numa nuvem. Conforme o olho do espectador se vai focando nesse aglomerado de vapores, pontos cinzentos de fumo, poeira, depressa descobre que não se trata de uma nuvem mas sim de um conjunto visível de partículas de água. Micro gotas de agua, todas juntas, na parte de dentro de um automovel. Temos os vidros embaciados. A tela cresce e ali estamos nós duas dentro do teu carro. Rimo-nos da desgraça alheia, dos condutores que passam la fora, mesmo em frente a nós. E eu estou presa num momento contigo. Presa num momento contigo à exactamente vinte e quatro horas atrás. Toda tu eras a personificação da Razão desfeita em prazer. Saiu-nos o tiro pela colatra e agora não pretendemos voltar ao ponto de controlo da situação. Daixamos fluir. Vai por entre as nossas mão, passa plas nossas pernas, corre o nosso corpo todo num arrepio. É a Quimica. Maiscula. Grande. Imensa. Estamos cobertas, enquanto enroladas, numa empatia. Um deleite num arquear de costas. Foges de mim sem efeito. Persigo-te, numa prova de esforço. Alcanso o teu pescoço. Pedes-me para parar enquanto conseguimos. Não consigo. Tu tambem não. Deixa, não faz mal. Senta-te então aqui comigo. Vem ser espectadora do que está para vir.
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