Quando te vi, não havia lua no ceu. Encontrei-te num acaso. Numa sombra nos esbarrámos. Fiquei a sentir-me meio que culpada por não ter reparado, não me ter sequer apercebido da tua existencia, não fosse a nossa colisão. "Desculpa" balbuciei insegura. Tu sorriste. Toda tu eras brilho e cor, de olhos grandes e negros. De perto pude sentir o teu cheiro. Estranho e diferente. Um tipo de fragrancia exotica vinda duma terra onde nunca estive. "Gosto do seu sorriso". Esbocei uma gargalhada torta. Somos caça e presa a inverter papeis. Pus a minha mão na tua. Eras quente. Pequena. Fragil. Davas carne e osso à beleza triste que ostentavas. Como se o maravilhoso de viver tivesse sido tatuado nas tuas costas. Compreendi a tua dor e partilhei a minha contigo. Por momentos foi como se nem sequer existisse alguma. Esteve tudo dramaticamente perfeito durante o micro-segundo em que te entendi.
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