20110304

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Dançámos um tango. La Revancha del tango. Nenhuma de nós, fui levada a crer, sabia dança-lo. E eu fui e tentei. Os primeiros passos pareciam-me dificeis. Flectia as pernas, arquiava as costas e nada. Não havia pé de dançarina em mim e eu começava a stressar. Decidi largar tudo e escutar a musica. Senti-te perto. A minha boca começou a ficar avermelhada e eu salivava por ti. Puxei-te mais perto. De dentro do teu ventre senti as passadas da musica como nunca tinha ainda experienciado. Daí dançamos uma noite inteira até cairmos no chão. Exaustas. Suadas. Arfavamos avidamente o oxigenio. Eu sorria extaziada para mim mesma. Quando me voltei para ti estavas a levantar-te do chão. Olhei para ti em sinal de interrogação e tu respondeste em palavras "Afinal não sabias mesmo dançar". Abotoaste a camisa preta e caminhaste para a porta. Eu olhava para ti, ainda no chão, incredula. Sem reacção. Tu abriste a porta e passas-te por ela sem sequer olhar para tras. Para mim, daquele chão até aquela porta foram quilometros cada segundo interminável em que te afastavas mais e mais de mim. Preferiste não me olhar misericordiosamente. Saiste simplesmente. Como quem sai para comprar tabaco. Sei hoje o porquê de tanto ter evitado o teu contacto. Hoje foi o dia em que me deste a razão.

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