20110318
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Eu e a tua pessoa. Vivemos realidades alternativas. Universos paralelos de vidas. Hoje sonhei isso mesmo, como se o espaço nos permitisse a convivência desconhecida. Eras tu, por um lado, no mesmo exacto sitio que eu estava, à mesma hora, no teu mundo. E eu, no mesmo espaço que tu, do mesmo dia, da mesma hora, no meu. Desempenhávamos tarefas simples, nós. Cada uma na sua realidade. Éramos, tal como somos, pessoas confiáveis. Fieis aos seus ideais. Com certezas e convicções. Vivemos em pleno, a sensação de sermos correctas. O rush do momento, no sonho desenrolado, corria sem muitos percalços. Subitamente parei e pareceu-me ver-te. Eras tu! Não. Uma impressão minha. Qualquer coisa na vista. Senti-te. Por um momento sube que ali estavas, comigo. E todo o meu redor parou. A minha realidade deixou de fazer sentido e quis partir para a tua. Senti então, num pestanejar, todo o amargo desse impossível. Foi como se fossemos eu a Lua e tu o Sol, nunca destinados à convivência. Cientes. Dolorosamente despertas. Acordo eu denovo para a minha realidade sem promessas. Foi um sonho bonito. Até romântico. Não podia estar mais longe da realidade. Agora que nem sei se fomos mesmo Astros, talvez não passemos puramente de buracos negros.
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