20110722

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É como que um feitiço. Desenvolto num olhar. Persegui-te na esperança de seres palavra diferente em pele e osso. Por ruas e ruelas, caves, esplanadas. Encontrei-te imóvel, junto àquela parede. Não havia muita luz, mas os meus olhos viam na perfeição. Autorizei o meu corpo a desferir em ti tal brutidão, tanta quanto a paixão que sentia. No meu querer forrado a fogo e aço estás entre parede. Nada mais. Espaço microscopico. Colam-se as bocas. Quase não existe espaço para respirar. Com insolenca resolves usar o dom da palavra. Arrastas a mão pla minha nuca acima e puxas-me o cabelo. Forças-me a juntar o ouvido à tua boca e sussurras 'Meto a língua.... onde?'. 'Mete-a..!' respondo. Mete-me a língua, no momento fugaz que nos encontramos. Mete-me no dentro, no quase dentro de mim, que também é teu. Mete. Mete não só a língua mas também aquilo que te move, que te rege. Mete aspirações, mete sonhos. Mete. E ao meter deixa-te ficar. Pois a verdade é que de fugaz, este momento, tem o nome.

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