20110523

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Era uma vez, não há muito tempo, uma menina que sonhava. Era jovem, a menina. Nos seus sonhos era levada, de par em par, a trajectos alcansaveis, por um esticar de um braço, de sonhos maravilhosos. E ela sonhava. Sonhava muito. Pensava no futuro que ia ter. Na família que poderia ter. No amor inabalável e inquestionavel que sem sombra de duvidas sentia que era para um sempre. Perfeito. Sonhava, menina que era, que com o tempo todos os contratempos do mundo chegariam a um fim, e o bem triunfaria. O trabalho organizar-se-ia por fim. Créditos seriam atribuídos. Todo o esforço valeria a pena. Toda a dor. Toda a magoa. Tudo teria sido em prol do seguimento natural da vida. Tudo sonhado, projectado. Para um dia poder adormecer nos braços. Naqueles braços. E descansar o sono dos justos. Mas a menina desapareceu. Tal como o sonho. Foi-se para não voltar. E silencio. Nada mais. Hoje não existe nenhuma menina. Apenas uma mulher de casca remotamente parecida. Um invólucro. Como o papel de um rebuçado depois de o comermos: um pedaço de plástico sem propósito de existir mas que resiste a décadas de desintegração.

1 comentário:

Pedro Bom disse...

Deixa lá "menina", este é um sentimento que eu "menino" também tenho.
Há uma frase célebre na rubrica "Linha Avançada" da Antena 3 que bem se aplica a nós... "carneiro amigo, andamos todos ao mesmo"